Blog — 29 setembro 2019

Sabemos que a adolescência pode ser uma fase difícil para todos, pois é um período de transição entre a infância e a vida adulta. Durante esse estágio, o corpo muda e as ideias também. Como muitas transformações acontecem em paralelo, é normal que aconteçam conflitos internos e externos. Da mesma forma, a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) passa pelas mesmas mudanças, ainda que com alguma diferença.

De acordo com a psicóloga Fernanda Zetola, a preparação da criança com TEA para o início da adolescência é a continuação do trabalho que começou na infância com todos os estímulos e terapias que foram feitos até então. “Na adolescência, propriamente dita, todos os cuidados que a família teve até então devem continuar, agora com um enfoque mais específico para a fase, orientando o adolescente sobre as transformações físicas e emocionais. Nessa fase, a demanda social aumenta, uma vez que, o contato com os pares agora não é tão estruturado, como são com as brincadeiras infantis, onde as regras são claras e objetivas”.

Como essa fase demanda uma maior sociabilidade, as atividades do dia a dia podem acabar se tornando desafiadoras. A psicóloga explica que na escola os adolescentes já não ficam mais correndo no pátio e ficam em grupos conversando, além de terem uma linguagem mais fluída, com o uso de gírias e outros dialetos. Para Zetola, é importante orientar os pais para que seja feita uma espécie de treino social fora do consultório em situações reais, utilizando acontecimentos que façam parte da rotina de um adolescente típico e da família.

Por exemplo: ir ao shopping com o adolescente com TEA e explorar os diversos comportamentos sociais que acontecem num passeio destes ou ir ao supermercado, dentre outros. Os profissionais também devem reproduzir o máximo possível o ambiente real para o adolescente com autismo.”.

Como tratar das mudanças que irão acontecer no corpo do meu filho ou filha com TEA?

A melhor maneira de lidar com essas questões é explicar para o adolescente do espectro o que está acontecendo de forma clara, simples e objetiva. A psicóloga pontua ainda que a orientação sobre mudanças no corpo, como o período menstrual, são muito importantes, pois com esse conhecimento o (a) adolescente sabe o que está acontecendo, entende que isso é natural e que ocorre com todo mundo. 

Uma dica é utilizar o recurso de imagens. Os pais podem usar exemplos do dia a dia para ajudar o adolescente com TEA a perceber suas dificuldades e como ele pode lidar com elas.

Como neste período há também muitas dúvidas sobre os mais diversos temas, é preciso lembrar que cada adolescente irá manifestar sua curiosidade de maneira diferente, por isso é importante entender o que ele quer saber para informá-lo. “É importante estar atento para o que ele quer saber de forma que não sejam dadas informações em excesso e isto acabe confundindo mais que ajudando”, ressalta Zetola. 

Se ela quer saber, por exemplo, sobre namorar, eu preciso entender o que ele quer dizer/saber sobre o tema. “Eu devo compreender o que ele quer dizer com namorar: é o estabelecimento de um relacionamento que nós configuramos como namoro ou namorar é uma relação sexual. O que ele esta querendo saber com aquela pergunta? É preciso antes entender a pergunta.”.

Situações que o adolescente típico aprende de forma natural precisam ser ensinadas para uma pessoa com autismo. Segundo a psicóloga, isto pode ser estressante, mas se bem orientado, o adolescente com TEA poderá encontrar a solução sozinho para as suas dificuldades. “Se um amigo o convida para jogar alguma coisa que ele não gosta, é importante que ele saiba dizer: ‘eu não gosto deste jogo’. Para que este aprendizado aconteça é importante que as regras existam e sejam pontuais.”.

Assim como a criança do espectro, é essencial o uso de histórias sociais. Os pais podem ainda usar vídeos para ajudar nesse processo. “Quando o adolescente entende o que está acontecendo com ele, queremos que ele consiga falar o que ele gosta e o que ele não gosta de forma adequada, sem agressividade, por exemplo”, pontua Zetola.

Segundo a psicóloga, é importante ensinar ao adolescente entender e explicar suas dificuldades. Os conselhos de outras pessoas, como professores, família, grupos da igreja ou de esportes, devem estar alinhados com as orientações dos profissionais que acompanham este adolescente.

Fonte: http://superspectro.com.br/

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Janara da Silva

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