Blog — 27 março 2019

A música é um elemento extremamente presente em nosso dia a dia. No elevador, nos restaurantes, nos fones de ouvido. Tanto é que muitas vezes sequer prestamos atenção quando está tocando. Além de servir para distração e transmitir emoções, ela também tem um grande potencial terapêutico. Essa técnica específica é chamada de musicoterapia.

De acordo com a musicoterapeuta, Darda Camargos de Azevedo, a musicoterapia tem como foco o indivíduo e suas necessidades. “A música funciona como material de apoio para alcançar outros objetivos que possam promover saúde, que neste caso, refere-se a um equilíbrio das funções internas do indivíduo“, afirma.

Ela explica ainda que a música possui o poder de acionar todas as regiões cerebrais simultaneamente, o que auxilia na estimulação de funções mentais e física. Em relação a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a musicoterapia pode auxiliar a desenvolver diversas habilidades, como a percepção, linguagem, domínio das funções cognitivas, imitação, interação, sociabilidade, entre outras.

A música por si só, oferece estrutura, antecipação e previsibilidade por meio da composição rítmica e melódica que a criança com TEA consegue perceber com relevante domínio, o que facilita a troca interativa entre ela e o musicoterapeuta. O importante é sempre estar em construção desse processo, junto à família, traçando objetivos que possibilitem o desenvolvimento saudável dessa criança“, pontua.

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Durante a sessão de musicoterapia

Segundo Darda, as sessões variam de acordo com a abordagem do musicoterapeuta e, todas as pessoas do espectro podem participar independentemente de seu grau de autismo, pois de acordo com ela o que varia é a forma da aplicação. “A aplicação das técnicas em musicoterapia resultam da linha em que o musicoterapeuta segue, há a improvisacional, de composição, comportamental, entre outras. Em algumas abordagens, a individualidade e interesse da criança é o que direciona as sessões, em outras, já existem alguns parâmetros que moldam os objetivos pretendidos“, explica.

Em todo caso, as diferentes técnicas devem se adequar ao perfil e a resposta da pessoa com TEA. Para Darda, mesmo em situações de hipersensibilidade auditiva, pode-se adotar a musicoterapia justamente para a dessensibilização auditiva e promover uma melhor qualidade de interação da criança com o meio sonoro que a cerca. “Vale destacar que a percepção do terapeuta frente às respostas da criança são de extrema importância para que ele possa, então, utilizar a intervenção apropriada para cada caso“.

A musicoterapia pode ser uma grande aliada no desenvolvimento do TEA e é tão importante quanto às demais terapias. Por meio dela, pode-se desenvolver um sentido que é muito importante para a vida, e que no autismo, na maioria dos casos, fica em segundo plano, que é a audição. Partindo dela é que a criança consegue interagir com o mundo e potencializar as vias de comunicação com ele e com os outros“, conclui.

Fonte: superspectro

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Janara da Silva

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