Blog — 17 junho 2019

A abordagem de crianças com Autismo deve sempre ser interdisciplinar e, as evidências científicas têm mostrado que os recursos terapêuticos envolvem estratégias psicossociais comportamentais para modulação de comportamentos inadequados e intervenções desenvolvimentais para corrigir atrasos e estimular habilidades ainda não adquiridas.

Neste sentido, o uso de materiais e brinquedos específicos pode ser fundamental para trabalhar crianças com autismo, tanto nos ambientes estruturados dos consultórios de especialistas quanto em suas casas, onde podem ser utilizados pelos seus pais ou cuidadores para auxiliar na melhora dos sinais, dos sintomas principais do transtorno e suavizar comorbidades. Servem também para melhorar distúrbios sensoriais, reduzir determinadas fobias e ansiedades, proporcionar o desenvolvimento de habilidades de forma mais prazerosa, motivadora e adequar determinados estímulos de acordo com as preferências da criança.

Muitas crianças com autismo podem ficar muito estressadas e assumir posturas defensivas como uma forma de auto-proteção em situações sociais normais, as quais são imprevisíveis e, ao mesmo tempo, exigem algumas expectativas que podem ser frustradas. Alguns sons, cheiros, paladares, texturas, luzes desconfortáveis podem levar esta criança a ficar em extremo alerta e desconforto. Vivem em estado de medo permanente e, por isto, os brinquedos devem ser prazerosos e específicos caso-a-caso para prevenir seu repúdio.

Tanto os brinquedos como os jogos devem ser antes experimentados espontaneamente pela criança, observando se ela gostou ou não e se realmente vai permanecer com ele por um tempo. Para isto, pode-se oferecer em uma caixa vários brinquedos calmos e de perfil pedagógico e esperar a criança escolher. Deve-se começar e terminar as brincadeiras com os mesmos sons, luzes e também com as mesmas sequências e obstáculos, antes de introduzir variações. Deve-se também mostrar como a atividade lúdica vai terminar, quanto tempo ela vai durar e quais as etapas regulares, para não gerar grande ansiedade.

As brincadeiras devem ser intercaladas de momentos calmos e reconfortantes, como envolver a criança num cobertor, brincar de múmia colocando bandagens nos braços e pernas, pôr puffs nos ombros e uso de animais de pelúcia, fazer massagens nas extremidades, movimentos de vai-e-volta e balançar.

Deve-se colocar à disposição brinquedos que tenham sequência e que podem ser conduzidos de forma compartilhada com outra criança, os chamados brinquedos sociais ou compartilhados. Naturalmente, crianças com autismo sempre vão preferir ficar isolados e como queremos que eles desenvolvam a socialização, temos que disponibilizar momentos e contextos que o estimulem, por sua boa vontade, a brincar com o outro. Estas atividades compartilhadas somente funcionam ou se completam quando há a participação de outra criança no processo do brincar. Estimula o compartilhamento e a socialização de atividades lúdicas. Mas, antes, deve-se iniciar brincando do jeito que aprecia, fazendo alinhamentos ou categorizando, para depois ir permitindo a interferência dos outros.

O uso de brincadeiras envolvendo água pode ser muito útil. Os materiais podem ser colocados em pequenas piscinas, aprofundá-los, ou deixar flutuar, sempre com a supervisão de um adulto. A criança pode descansar na água e deixá-lo sozinho por um tempo.

É importante mostrar para esta criança como o brinquedo funciona ou qual é o significado e a sequência do mesmo. O adulto pode, então, falar assim: “agora é minha vez”. Neste momento, o adulto brinca mostrando para a criança como o brinquedo é e qual sua função, dando a oportunidade de imitar e esperar sua vez – o que para eles é muito difícil. Como eles são aprendizes principalmente visuais, pode-se optar por atividades mais visuais e que utilizam pistas, linhas ou sinais que ajude ela a perceber que agora é a vez do outro ou é sua vez. Ou, ainda, usar bastões, esponjas ou fitas que concretamente indicam mudança de turno ou para indicar que terminou uma sequência.

Enfim, é muito importante usar brinquedos que facilitem a transição de uma atividade para outra estimulando uma percepção por vez. Se visual, só visual. Se auditiva, só auditiva. Se táctil, só táctil. Tudo isto para não sobrecarregar sua hipersensibilidade e acabar irritando-o. Deve-se buscar sempre intensificar contato ocular, melhorar a consciência social e habilidades motoras as quais costumam estar deficitárias em autistas.

O uso do lúdico para intervir diariamente na criança com autismo traz novos recursos e complementa outras abordagens, o que ajudam a melhorar sua comunicação e nível de atenção para novas experiências.

FONTE: http://entendendoautismo.com.br

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Janara da Silva

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